sábado, 1 de outubro de 2011

As Pastoras - Do Livro a Velha Guarda da Portela- João Baptista M.Vargens e Carlos Monte

     Provei do famoso feijão da Vicentina
     Só quem é da Portela
     É que sabe que a coisa é divina.
Paulinho de Viola
   
     AS PASTORAS

     Dia 8 de dezembro! Salve Nossa Senhora da Conceição!Oraeeuerô minha mãe Oxum!
     No dia 8 de dezembro de 1934, exatamente 41 anos antes de Candeia e seus companheiros fundarem o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Samba Quilombo, João Petra de Barros entrou no estúdio da Odeon para gravar a marcha rancho Linda Pequena, de Noel Rosa e Braguinha. Informam João Máximo e Carlos Didier que a obra fora composta no Café Papagaio, situado na rua Gonçalves Dias. Os compositores fizeram a música calcados no ritmo de um rancho que saía pelas ruas de Vila Isabel no Dia de Reis.
 
     A estrela d'alva
     No céu desponta
     E a lua anda tonta
     Com tamanho esplendor
     E as moreninhas
     Pra consolo da lua
     Vão Cantando na rua
     Lindos versos de amor

     Linda pequena
     Pequena que tem a cor morena
     Tu não tens pena
     De mim
     Que vivo tonto com o teu olhar
     Linda criança
     Tu não me sais da lembrança
     Meu coração não se cansa
     De sempre e sempre te amar

     A música não fez sucesso . Em 1938 um ano após a morte de Noel, Braguinha apresentou  em um concurso promovido pelo DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, na Feira de Amostras. A letra foi um pouco alterada:

     A estrela d'alva
     No céu desponta
     E a lua anda tonta
     Com tamanho esplendor
     E as pastorinhas
     Pra consolo da lua
     Vão cantando na rua
     Lindos versos de amor


     Linda pastora
     Morena da cor de Madalena
     Tu não tens pena
     De mim
     Que vivo tonto com o teu olhar
     Linda criança
     Tu não me sais da lembrança
     Meu coração não se cansa
     De sempre e sempre te amar

     O título de Linda pequena passou a Pastorinhas e a canção foi a vencedora do concurso. Sílvio Caldas imortalizou a obra gravando  acompanhado pela Orquestra de Napoleão e seus Soldados Musicais, nome que sugere a efervescência belicosa que impregnava a atmosfera mundial na época.
     A marcha, que provavelmente foi composta para os grupos de pastoris, imperou no carnaval seguinte e se perpetuou entre os clássicos das canções momescas.
     Nas primeiras décadas do século XX, alguns dias antes do Natal, grupos de moçoilas e rapazes, esses em menor número, caminhavam pelas ruas da cidade cantando e dançando, festejando o nascimento de Jesus Cristo. À frente do cortejo, uma jovem vestindo túnica branca, segurava uma vara que trazia na ponta uma estrela. Representava a estrela guia que orientou os Reis Magos a encontrarem a estrebaria onde nasceu o Menino Deus. Logo depois vinha a figura do Velho. De barba e cabelos brancos, apoiado em um cajado, ele cantava:
     Caminhemos, caminhemos
     A lapinha de Belém
     Visitar a Deus Menino
     Que salva o mundo vem
 
     As pastoras, balançando os corpos sestrosos ao ritmo da música, repetiam os versos entoados pelo Velho.
     Os desfiles dirigiam-se às casas de amigos. Diante dos presépios, as pastoras em roda, adoravam o Recém nascido, entoando cânticos em alusão ao evento.
     Jota Efegê, relembra que um momento bem humorado do ritual era o "Namoro do Velho". Nesse instante, o ancião insinuava-se para as pastoras, dirigindo-lhes galanteios, e elas o repeliam:
 
     Sai daqui, ó velho
     Velho impertinente
     Não faça vergonha
     No meio da gente
   
     Após muita insistência do Velho e repúdio das pastoras, cessava a música e os anfitriões distribuíam castanhas, figos, rabanadas e passas entre os participantes.
     Sob o aplauso da platéia, após o apito do Mestre, os músicos deixavam a casa, acompanhados das pastoras, arrastando os pés e cantando.
 
     Caminhemos, caminhemos
     À lapinha de Belém
     Visitar o Deus Menino
     Que salvar o mundo vem
 
     E seguiam de casa em casa, repetindo a cerimônia.
     [......] Em Oswaldo Cruz, as pastorinhas se encontravam na casa de dona Martinha, madrinha da Portela escolhida por Paulo Beijamim de Oliveira, de onde iniciavam o cortejo.
     As pastorinhas dos festejos natalinos migraram para os ranchos carnavalescos, que incorporaram muitas características dos pastoris: o compasso rítmico, as castanholas, as marchas. As pastoras formavam o coro dessas agremiações.

Punhados do Livro A Velha Guarda da Portela- João Baptista M Vargens e Carlos Monte. "A Portela não foi fundada; Nasceu por obra e graça do Espírito Santo"- Antonio Rufino dos Reis.

domingo, 25 de setembro de 2011

GHANDI - Sua Vida e Mensagem para o Mundo - Louis Fischer

     [.......] Perpétuo reformador de homens, Ghandi aceitava-os, não obstante, como eles eram. O amor tornava-o indulgente. Possuía um código extremamente rigoroso de conduta para seu próprio uso, e outro código, indulgente, para aplicar aos outros. Vivia em feliz harmonia com os homens e as mulheres por ele convidados a fazer parte do ashram, mas que não acreditavam em Deus, nem na não violência, nem na castidade, nem nele mesmo. Na verdade, encorajava a rebelião e o não conformismo, considerando-os como sendo recursos auxiliares no desenvolvimento do indivíduo. A deslealdade para com ele nunca o perturbava; perturbava-o porém, a deslealdade para com princípios.
     A universal deslealdade para com os princípios, sob todos os sistemas sociais, se deve ao custo deles. Sob a ditadura o custo pode ser a morte; numa democracia, o desconforto e o embaraço. Ghandi estava pronto a pagar, fosse qual fosse o preço dos princípios pelos quais se batia. Quanto mais pobre ele fosse, de bens materiais, tanto mais ele poderia pagar. E tanto mais rico o pagamento o deixaria em moeda do espírito, que era a única moeda a que ele atribuía valor.
     Ghandi alimentava a mesma atitude nos outros. Dizia aos seus associados, que sacrificassem suas relações e seus contatos com ele, em nome e em benefício de suas próprias crenças. Ele não chefiava apenas um movimento, fazendo esforços para o seu bom exito; estava forjando uma nação, pela moldagem de homens. Se estava para ser pai de uma nação, então queria ter filhos gigantes.Quando defrontado pela oposição, no partido do Congresso, ou no círculo das pessoas mais chegadas, no ashram, Ghandi, por vezes, cedia a ela,muito embora pudesse facilmente superá-la; respeitava a divergencia. Esse respeito é o maior signo de masculinidade. De uma feita, numa conferencia sobre educação básica, todos os participantes concordaram com Ghandi, exceto Zakir Hussain, mestre-escola muçulmano. Ghandi nomeou-o presidente da sociedade em prol da educação básica. A força de vontade do Mahatma , juntamente com sua fé fanática nos princípios, poderia te-lo transformado em ditador; ele tinha um vínculo de ditador dentro de si, mas o seu interesse na formação de indivíduos o tornava democrata.
     Consequentemente, o séquito de Ghandi se fez grande , diverso e difuso, Sua personalidade atraía também uma ampla série de líderes. [......]
   
                                                Ghandi com Chaplin em Londres 1931
 [....] O Mahatma Ghandi não amava a humanidade em sentido abstrato; amava os homens, as mulheres, as crianças; e esperava auxiliar a todos, como indivíduos específicos, e como grupos de indivíduos. Ele pertencia lhes; eles sabiam disto; e, por isto, pertenciam a ele. Por dar guarida ao desleal, ele desfazia a deslealdade. A sua lealdade provocava a deles. Desta maneira, durante os piores anos de derrota e de depressão, de 1924 a 1929, ele se preparou para os triunfos ulteriores. A Índia, agora, o chamava "Bapu" - Pai.


Punhados da Biografia de Ghandi, "Eis aqui a vida e a mensagem do líder hindu que com a força da não violência, libertou politicamente sua nação do jugo britânico." Livro GHANDI- Sua Vida e Mensagem para o Mundo - Louis Fischer - Título do original norte americano GHANDI - His Life and Message for the World by Louis Fischer.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Os Primeiros Ensaios: Sobre o Amor- Woody Allen

     É melhor amar ou ser amado? Nenhum dos dois, se a sua taxa de colesterol estiver acima de 600. Pelo amor, naturalmente, refiro-me ao amor romântico - por exemplo entre homem e mulher, e não aquele entre mãe e filho, uma criança e seu cão ou entre dois garçons.
     O maravilhoso da coisa é que, quando se ama, tem se um impulso de cantar. Deve-se resistir a isto a todo custo, tomando cuidado também para que o ardente apaixonado não "diga" as letras das músicas. É evidente que ser amado é diferente de ser admirado, já que sempre se pode ser admirado a distância - enquanto, para se amar de verdade uma pessoa, é preciso estar no mesmo quarto com ela e, de preferência, enrolado atrás das cortinas.
     Para ser um grande amante, deve-se ser forte e, ao mesmo tempo, terno. Mas forte até que ponto? Acho que basta conseguir levantar 30 kilos. É preciso também ter em mente que, para quem ama, a mulher amada é sempre a coisa mais linda do mundo, mesmo que, para um estranho, ela seja indistinguível de um prato de mexilhões. A beleza está em quem vê. Se quem vê for míope ou estrábico deve perguntar à pessoa ao lado qual é a garota mais bonita. (Na realidade, as mais bonitas são geralmente as mais burras, e esta é uma das razões pelas quais muita gente não acredita em Deus).
     "As alegrias do amor duram apenas um instante", cantou o bardo, "mas suas dores duram uma eternidade". Esta canção tinha tudo para fazer sucesso, mas a melodia era muito parecida com a de I'm a Yankee Doodle Dandy.

Do Livro Woody Allen Sem Plumas, tradução de Ruy Castro, este livro traz 18 textos de formatos variados- peças, ensaios, contos, argumentos e outras improbabilidades - que tem em comum a imaginação e o humor característico de Allen.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

MILONGA DE DOS HERMANOS - Jorge Luis Borges - Para las seis cuerdas

                                                    Ilustración de Héctor Basaldúa


Traiga cuentos la guitarra
de cuando el fierro brillaba,
cuentos de truco y de taba,
de cuadreras y de copas,
cuentos de la Costa Brava
y el Camino de las Tropas.

Venga una historia de ayer
que apreciarán los más lerdos;
el destino no hace acuerdos
y nadie se lo reproche -
ya estoy viendo que esta noche
vienen del Sur los recuerdos.

Velay, señores, la historia
de los hermanos Iberra,
hombres de amor y de guerra
y en el peligro primeros,
la flor de los chuchilleros
y ahora los tapa de la tierra.

Suelen al hombre perder
la soberbia o la codicia;
también el coraje envicia
a quien le da noche y día -
el que era menor debía
más muertes a la justicia.

Cuendo Juan Iberra vio
que el menor lo aventajaba
la paciencia se le acaba
y le armó no sé qué lazo
le dio muerte de un balazo
allá por la Costa Brava.

Sin demora y sin apuro
lo fue tendiendo en la vía
para que el tren lo pisara.
El tren lo dejó sin cara,
que es lo que el mayor quería.

Así de manera fiel
conté la historia hasta el fin;
es la historia de Caín
que sigue matando a Abel.




Do livro, Para las Seis Cuerdas - Jorge Luis Borges- Emecé Editores- Ilustraciones Héctor Basaldúa- Este livro foi publicado pela primeira vez em 1965. A segunda edição em 1970, Borges suprimiu "Alguien le dice al tango" e anexou três novas composições "Milonga de Albornoz", "Milonga de Manuel Flores" y"Milonga de Calandria".Esta é a terceira, o ilustrador proporcionou alguns "dibujos" de seu pai, já falecido para reproduzir nesta edição, que é uma homenagem ao décimo aniversário de falecimento de Borges.

sábado, 27 de agosto de 2011

O CONSOLADOR - Sentimento- ARTE- Emmanuel- Fco Cândido Xavier

   SENTIMENTO
   ARTE

Que é a arte?

- A arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse "mais além" que polariza as esperanças da alma.
   O artista verdadeiro é sempre o "médium" das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o Infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor.
Todo artista pode ser também um missionário de Deus?
- Os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente pelas cristalizações do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a alma dos ideais divinos, mas na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das idéias, sob o égide do Senhor, em todos os departamentos da atividade que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica.
Sempre que a sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para considerar tão somente a luz espiritual que vem do coração uníssono com o cérebro, nas realizações da vida, então o artista é um dos mais devotados missionários de Deus, porquanto saberá penetrar os corações na paz da meditação e do silêncio, alcançando o mais alto sentido da evolução de si mesmo e de seus irmãos em humanidade.
Pode alguém fazer-se artista tão só pela educação especializada em uma existência?
- A perfeição técnica, individual de um artista, bem como as suas mais notáveis características, não constituem a resultante das atividades de uma vida, mas de experiências seculares na Terra e na esfera espiritual, porquanto o gênio, em qualquer sentido, nas manifestações artísticas mais diversas, é a síntese profunda de vidas numerosas, em que a perseverança e o esforço se casaram para as mais brilhantes florações da espontaneidade.


Uma visão espírita da Arte- O Consolador, obra mediúnica, ditada pelo espírito Emmanuel- Reunião de 31 março de 1939-do Grupo Espírita Luís Gonzaga de Pedro Leopoldo, um amigo espiritual lembrou aos seus componentes , por meio de perguntas à entidade de Emmanuel.- Federação Espírita Brasileira- Depto Editorial

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O NASCIMENTO DA CRÔNICA- Machado de Assis- Crônicas Escolhidas

      Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue; está começada a crônica.
     Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé,houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.
     Quanto a fatal curiosidade de Eva fez -lhes perder o paraíso, cessou, com essa degradação, a vantagem de uma temperatura igual e agradável. Nasceu o calor e o inverno; vieram as neves, os tufões, as secas, todo o cortejo de males, distribuídos pelos doze meses do ano.
     Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coetânea das primeiras duas vizinhas. Essa vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma dizia que não pudera comer ao jantar, outra que tinha a camisa mais ensopada do que as ervas que comera. Passar das ervas, às plantações do morador fronteiro, e loga às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica.
     Que eu, sabedor ou conjeturador de tão alta prosápia, queira repetir o meio de que lançaram mãos as duas avós do cronista, é realmente cometer uma trivialidade; e contudo, leitor, seria difícil falar desta quinzena sem dar à canícula o lugar de honra que lhe compete. Seria; mas eu dispensarei esse meio quase tão velho como o mundo, para somente dizer que a verdade mais incontestável que achei debaixo do sol, é que ninguém se deve queixar, porque cada pessoa é sempre mais feliz do que outra.
     Não afirmo sem prova.
     Fui há dias a um cemitério, a um enterro, logo de manhã, num dia ardente como todos os diabos e suas respectivas habitações. Em volta de mim ouvia o estribilho geral: - Que calor! Que Sol! É de rachar passarinho! É de fazer um homem doido!
     Íamos em carros! Apeamo-nos à porta do cemitério e caminhamos um longo pedaço. O sol das onze horas batia de chapa em todos nós; mas sem tirarmos os chapéus, abríamos os de sol e seguíamos a suar até o lugar onde devia verificar-se o enterramento. Naquele lugar esbarramos com seis ou oito homens ocupados em abrir covas: estavam de cabeça descoberta, a erguer e fazer cair a enxada. Nós enterramos o morto, voltamos nos carros,e daí às nossas casas ou repartições. E Eles? Lá os achamos, lá os deixamos, ao sol, de cabeça descoberta, a trabalhar com a enxada. Se o sol nos fazia mal, que não faria àqueles pobres diabos, durante todas as horas quentes do dia?


1º Novembro de 1877.






Crônicas Escolhidas- Folha de São Paulo- Este livro de crônicas foi para quem renovou a assinatura da Folha de São Paulo- Editor Fernando Paixão- ano 1994 Ed Ática- Sejamos vizinhos de Machado- Fernando Paixão:"O leitor tem em mãos uma seleção de crônicas de Machado de Assis. Isso quer dizer que deve procurar uma poltrona confortável, num lugar fresco, arejado e sobretudo tranquilo[........].
[......] Cada crônica de Machado sucede como uma boa conversa. Aliás, é o próprio autor quem, no primeiro texto desta seleção, define a origem do gênero como um encontro de vizinhas a escarafunchar as ocorrência do dia. E quem não gosta de um bate-papo? É até reconhecido como um jeito brasileiro de discutir política ou  futebol, conhecer melhor pessoas e amigos, e até ciscar questões filosóficas, sem ferir a normalidade dos fatos, tão necessária ao funcionamento da sociedade.
Mas, esses textos não seriam Machado, se a ironia não fosse a sua pedra de toque".