quinta-feira, 8 de julho de 2010

ALGOZES

Algozes                              
 
 Almeri Espindola de Souza   

Aquele é o local onde as mulheres são mortas depois que confessam suas traições. É um espaço com areia branca, cercado de vegetação densa, próximo da margem do rio São Francisco. Dizem que é um lugar assombrado, e que à noite se ouvem gemidos e guinchos de animais. Há quem conte que são vistas pessoas andando sem cabeças, mulheres se atirando no rio com criancinhas no colo. Caem raios com muita freqüência neste lugar, razão pela qual não nasce vegetação no pedaço de areia. O lugar permanece escuro, mesmo quando a noite está iluminada pela lua cheia. Não há estrada que a ligue com o resto da terra. Parece que as pessoas chegam e saem sem deixar rastros. Só se encontram os cadáveres das mulheres mortas, com a cabeça separada do corpo. Ninguém vê nada nem vê ninguém. Apenas os corpos são encontrados. O governo contratou índios da região para fazerem plantão no local e protegerem as mulheres de seus algozes, mas num passe mágico, os índios nunca mais foram vistos e as mulheres continuaram a serem mortas, agora com requintes de crueldades ainda maiores. As duas últimas encontradas por pescadores da região, estavam ainda vivas boiando no rio sem pernas nem braços. Morreram de hemorragia. Marília aceitou o convite de um a colegas de trabalho, para fazerem uma excursão ao nordeste do país. A cidade que visitariam era o ponto de maior produção de ervas medicinais, foi o que justificou, ao ser indagada pela irmã, que estava de visita em sua casa, sobre a escolha. Marta gostou de idéia de visitar aquela região, já que mora fora do Brasil há muito tempo. Arrumaram as malas com simplicidade. Repelente de insetos, um par de chinelos, um chapéu, blusas finas de mangas longas, calças compridas para protegerem-se dos perigos da região. A organização da excursão reiterou que lá havia muitos insetos e animais selvagens e que o sol era torrente, por isso precisavam de precaução. Despediram-se, numa sexta-feira pela manhã. O avião as deixaria numa cidadezinha próxima, e para o local pretendido por Marília, precisariam arranjar alguma carona, já que não havia meios de transporte coletivo. E a excursão tinha outro roteiro. Sua colega de trabalho resolveu que ficaria na cidade num hotel próximo do aeroporto, pois estava com indisposição intestinal e não quis arriscar-se na aventura. O restante do grupo saiu para os passeios de barco no rio São Francisco. Saíram a pé, quando o sol ainda estava alto. Não levaram bolsa, documentos, nada além do que vestiam. Apenas um cantil com água de beber. Marta nem água quis levar. Marília retornou na manhã do dia seguinte e, ao encontrar a amiga hospitalizada com doença intestinal séria, se ocupou de cuidar do tratamento da mesma e, com isso despistou o restante dos viajantes da excursão. Passaram-se seis meses. O zelador do prédio onde Marilia mora deu-se conta de que a moça que estava no jornal cuja vida ficara na “Asa da Mosca”, era a visitante que se hospedara no apartamento 11 e que ele logo percebeu tratar-se de uma irmã de Marília, tal semelhança que havia entre as duas. Viu que elas haviam saído juntas naquele mês de março e somente Marília voltara para casa. Ele lembrou, então, das tantas conversas que manteve com a vizinha do ap 11, das suas queixas de que Marta havia lhe roubado. Ela falava com rancor sobre a vida que a irmã levava. Os olhos de Marília faiscavam de raiva ao comentar que a irmã escapou da falência da família quando casou na Europa e, não satisfeita, lhe roubara tudo o que, por amor, tio Doca lhe deixara, usando documentação falsa, e a astúcia que a experiência no primeiro mundo lhe permitiu. Seu Zeca, como era carinhosamente chamado no edifício, comentou então com sua esposa, que conversavam sempre mas ela nunca falou com ele sobre aquela moça nem sobre a viagem.
Marcadores: 
d

Él Avión de Moratinos- GeneraciónY- Cuba

Posted: 07 Jul 2010 11:37 AM PDT
moratinos-y-castro
Imagen tomada de cubamatinal.es
Mucho se especula en estos días sobre las posibles excarcelaciones de presos políticos. La prensa oficial –como siempre- adormilada entre cifras de crecimiento y viejos discursos sacados de los archivos, no confirma ni desmiente esos rumores. Una meticulosa lectura de Granma arroja que el canciller español ha venido para condenar el bloqueo, hablar del cambio climático e intentar quitar la posición común de la Unión Europea hacia el gobierno de Cuba. Si nos dejáramos llevar por lo que dicen los locutores de voz engolada y corbatas a rallas, aquí no está pasando nada… o casi nada. Pero todos sabemos que algo se mueve en la oscura zona de la diplomacia, en ese terreno de la alta política que se teje de espaldas al pueblo.
Los murmullos vienen y van. En ellos, a la palabra “liberación” se le ha ido pegando un término de connotaciones infames: “deportación”. “Saldrán directo de las prisiones hacia los aviones” me dijo un señor que se la pasa con la oreja pegada al radio, escuchando la emisora prohibida que llega desde el Norte. La expatriación forzosa, la expulsión, el exilio, han sido prácticas habituales para deshacerse de los inconformes. “Si no te gusta te vas”, te repiten desde chiquito; “arranca y lárgate”, vuelven a espetarte si insistes en quejarte; “¿para qué volviste?”, recibes como saludo si osas regresar y seguir señalando lo que no te gusta. Habilidad en librarse de los incómodos, pericia para empujar fuera de la plataforma insular a quienes se le oponen, en eso sí que son diestros nuestros gobernantes.
Tendría que ser muy grande el avión de Moratinos para poder llevarse en él a todos los que  les estorban a los autoritarios del patio. Ni un Jumbo alcanzaría para trasladar a aquellos que potencialmente tienen el riesgo de ir a prisión por sus ideas y por su accionar cívico. Una verdadera línea área con vuelos semanales se necesitaría para sacar a quienes no están de acuerdo con la gestión de Raúl Castro. Pero resulta que muchos no queremos irnos. Porque la decisión de vivir aquí o allá es algo tan personal como seleccionar pareja o ponerle nombre a un hijo, no se puede permitir que tantos cubanos se encuentren entre la pared de la prisión y la espada del destierro. Es inmoral forzar a la emigración a quienes sean liberados –posiblemente- en los próximos días.
Una simple y lógica pregunta salta cuando pensamos  en este tema: ¿No sería mejor que se los llevarán en ese avión a “ellos”?

domingo, 27 de junho de 2010

SABOR DE TERRA


      Quando colocou os pés fora da porta, sentiu  o suor lhe escorregar corpo adentro, os pingos da chuva crepitavam, loucos, inquietos, lavando seu ardor. Virou a cara retinta de frente para a chuvada melosa, que fazia uma mistura incrível com o odor de sua pele. Os passos tateavam o terreno pedregoso, escorregadio, as pedras exalam vapores que se contorcem ao longe, mas o solado dos pés é espesso pelo tempo.
       Antonio pensa, quantas vezes foi, voltou, veio e se foi, e lá da cidade não tinha tanto o que recordar, senão aquele morenaço de coxas grossas e negras, os cabelos crespos e compridos, un coup de foudre, que lhe deixava as noites mais densas de vida. É que Mariana trabalhava em casa de família, tinha salário e comida certa e não quis se jogar com ele -neste pedaço de fim de mundo-, era como ela falava.
       Assentado, estavam ele e mais outros, há muito tempo, o sonho do torrão todos os dias lhe acorda para o trabalho, a casa se é que se pode dizer, nem água, nem luz, somente a expectativa de um novo amanhecer.
       Mas algo enraizou, desde a infância, seus pais trabalhavam a terra, sempre dela tiraram o seu sustento, mas quando ele cresceu teve que ir para a cidade, procurar emprego "pra melhorar". Dali em frente virou um zumbi que não tinha um lugar para assentar o seu couro, jogado pra lá e pra cá, o dinheiro não dava pro aluguel e nem pra comer, bóia fria, bóia quente, rolando de cortiço em cortiço, de favela em favela.Mas ainda restou um tempo, para estudar, para ler, até mesmo para escrever, o que lhe trouxe esta extrema inquietude e gerou sua pertinácia.
       A enxada que faz o seu sulco com força, ajunta nele todo o respeito, toda a consciência de homem, esculpindo o corpo e a mente. Ele adormece fatigado e lasso,  um homem completamente integrado na terra, neste ecossistema que alimenta a todos, havia agora algo em sua vida, sagrado.
      Mariana vem de vez em quando, o vento, o cheiro do estrume, a lenha queimando no fogão e aquele corpo, que sempre parece ter algo de novo, na sua ausência a sua alma preenche o vazio.
      As noites são curta metragem, mas sob o facho do lampião lê e relê o livro que tirou da biblioteca da escola. Talvez se fosse um homem de letras, ia se dedicar a contar estas histórias, que muitas vezes quando estão todos juntos, as conta, histórias que passam de um para outro e se modificam :"alimentando-se basicamente de mel silvestre, palmitos e farinha de pinhão, levaram cerca de quatro meses desde cá até onde agora é o Paraguai, essas trilhas se juntavam ao rio Peabiru e cruzando pelas nascentes dos rios Tibaji, Ivai e Piquiri, seguiam pela margem direita do rio Iguaçu, até sua foz no rio Paraná.[.....].e índios extremamente ferozes, que ficaram conhecidos como piratas do rio Paraguai aterrorizando os viajantes".
      Aqui não se tem a sede do consumo, é só o necessário, eu não fui arremessado neste lugar eu vim.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Se Alquila un poco de emoción- Yoni.sanchez@gmail.com- blog Generación Y 




http//:desdecuba.com/generaciony/- Imagen tomada de: http://telenovelas-carolina-esp.blogspot.com/


El hombre entró en la pequeña librería El Cóndor cuya vidriera está orientada hacia el muro que bordea la universidad de Zürich. “Busco libros de Corín Tellado” musitó por lo bajo y yo salté frente al ordenador en el que tecleaba los últimos títulos llegados desde Buenos Aires, Madrid o México D.F. En su voz se sentía aún el acento habanero, tal vez porque llevaba poco tiempo en contacto con el dialecto suizo-alemán que terminaría por darle otra cadencia a sus palabras. Dijo que era del barrio de La Víbora y que también necesitaba –con urgencia- unas revistas españolas al estilo de Hola.María Mariotti –la dueña del local- se le acercó para explicarle que no tenía ni lo uno ni lo otro, pero que podía pedirlo a las distribuidoras. ¿Qué títulos quieres? indagó la pequeña mujer mitad peruana y otro tanto japonesa. “Todos los que se puedan conseguir. Son para mi mamá que vive de ellos” -declaró él- tratando de justificar su insistente interés por las novelas rosas. Contó que a falta de remesas para enviar a Cuba, cada mes trataba de hacerle llegar a su familia algunas publicaciones que se pudieran alquilar a otras personas. El incipiente negocio consistía en rentar revista como Vanidades o Gente,  por cinco pesos cubanos, a una amplia comunidad de lectores que ansiaban tener nuevas ediciones. Los clientes podían quedarse una semana con los apetecidos textos y después estos seguían de mano en mano hasta que el deterioro obligaba a retirarlos de circulación.Pocos días después de aquel peculiar pedido, mi amiga partió para la feria del libro en Barcelona (2003) donde se le ofrecía un homenaje a María del Socorro Tellado López. Logró acercársele y contarle de la familia a al otro lado del Atlántico que sobrevivía cada mes gracias a su pluma. La autora de Doloroso engaño (1990) se impresionó con la historia y le entregó una selección con cincuenta de sus títulos, acompañados de una carta manuscrita para la señora de La Víbora. Aquel regalo hizo hipar de agradecimiento a la librera de Suiza y especialmente al hijo de la bibliotecaria alternativa. Él sabía muy bien lo que representaban aquellos nuevos ejemplares agregados a la colección materna. Sus páginas lograrían que en una deteriorada casa habanera hubiera más jabón, algo de aceite, otro poco de pan, zapatos para los niños y sueños para decenas de vecinos.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Guerreiros Coroados






 Pedra sobre pedra, os pés afundam na sutil discrepância de feitios. Onde dantes corria a água, agora trafegam os passos, no intenso e harmonioso vazio de seixos redondos, rotundos, inconsequentes, de quando em vez a água surge como dançarina, esculpindo formas, ocupando espaços. No regaço dos canions as araucárias ataviando as encostas na sua forma de grandes cálices verdes.
  A sensualidade da natureza, o cheiro molhado do musgo que se gruda na pedra, tal qual tivesse nascido desta, alguns troncos caídos sobre o caminho, de há muito suas raízes foram escavadas pela correnteza, ornados agora por urupês jazem sobre o basalto como esculturas.
  No topo da Serra do Faxinal, entre a cumeeira dos Canions, Malacara e Índios Coroados, avançávamos no nosso trekking, por sobre terrenos vulcanicos, na presença das cascastas do Rio Malacara. Aqui habitaram os indomáveis coroados, dizem que "ferozes e sanguinários, robustos, musculosos, os padres ensinaram os guaranis a chamá-los de curupira, ou seja diabo do mato. E então por esses campos de cima da serra, homens e mulheres bem torneados, em sua nudez, desprovida de qualquer objeto decorativo, tinham os cabelos tonsurados, de maneira a ficar uma rodilha de cabelo enfiada em uma cabeça calva. Retiravam o cabelo das sobrancelhas, das pestanas, da barba, do púbis e de todas as regiões do corpo onde estes existissem.De um tom de pele mulato escuro, aqui viviam nossos coroados do Sul". Então dizem as más línguas que eram ferozes , mas eu aqui me pergunto, o que foi feito a eles para se tornarem sanguinários, estavam defendendo a sua singeleza natural, a sua nudeza pagã? Ou mesmo oferecendo resistência na defesa de sua terra, sua cultura. Ah! esses nossos bugres que habitavam as matas, diz-se que quando o primeiro homem branco foi avistado o sinal de alerta dado por eles à tribo era um grito agudo, que silvava nestas alturas, no qual se ouvia perfeitamente a palavra "bugre".


domingo, 13 de junho de 2010

O Mar


Naquele canto da ilha
Tem uma magia, água tranquila
As gaivotas dançam encima dos barcos
Saracoteando e devorando os peixes que são muitos
E o Martim pescador mergulha tenaz na sua busca certeira
E tu estavas comigo, fiz este encontro, programei
Eu sei o quanto queria que estivesses comigo, naquele lugar
O salto das botas enterrava na areia meio umida
Está frio, inverno, a neblina insinuante
E o bar do Arantes, está ali com suas lembranças
Seu bilhetinho de recordação, e eu nem mesmo te conhecia
Não tinha noção apenas criei uma história, é apenas um conto
E o reboliço de minha alma delineava um encontro
As horas me encantam, o tempo se fez em magia
Então o meu ser, se aventura em contar esta fantasia, tão minha
Mas tão dona eu sou dela, que talvez ela nem exista
Sempre pairou neste lugar o encanto do Pântano do Sul
Muitas vezes estive neste lugar, mas nunca como hoje
Jamais com a alma tão entregue, querendo a tua companhia
Depois deste foram vários os encontros e agora posso dizer
Que deste irreal, surgiu algo tão belo
Que não preciso da sua presença para cantar esta poesia

sábado, 5 de junho de 2010

A Sinfonia do Mal- Tomás Eloy Martínez

    Nunca vou me esquecer da primeira vez que li Rubem Fonseca. Sei o dia exato, a hora, a temperatura, o ângulo em que o sol batia num certo café de Sabana Grande, durante as últimas semanas do meu exílio e Caracas. Estava sentado em uma mesa junto à calçada, esperando por um professor de inglês que me dava aulas de conversação às vésperas de uma longa viagem[......].Foi assim que Feliz ano novo, me caiu nas mãos. Depois que entrei na atomosfera banal de "Passeio noturno (Parte I), por trás da qual se escutam os tambores do inferno, nada foi igual para mim. Essas poucas páginas bastaram para o universo de Fonseca tatuar minha alma com a malignidade de uma planta carnívora e a destreza de uma ave de rapina.[....]. Fonseca instala o medo ou o Mal no próprio interior da linguagem, cada uma das suas palavras é como uma nota musical arrancada da sinfonia do Mal.A exemplo dos poetas ele faz as palavras tocarem a borda extrema de seus sentidos. Lendo-o, sente-se o poder de dissuasão ou de perversão que até a mais surrada palavra pode comportar.[....].
    Diante de cada relato de Fonseca, lembrei-me dos extremos de individualismo e amoralidade pregados por William Faulkner em uma entrevista à The Paris Review". "O artista só é responsável perante sua obra.Se for um bom artista, será completamente desumano. Ele tem um sonho, e esse sonho lhe provoca tamanha angústia que deve se livrar dele. Enquanto não o fizer, não terá paz. Joga tudo pela janela: honra, orgulho, decencia, segurança, felicidade, tudo. Tudo para escrever seu livro". Essas palavras são escandalosas, mas não despropositadas: no horizonte da história, os homens acabam sendo sua obra antes que eles mesmos.[...]. Não existe veneno mais letal para a criação que o pudor e a vergonha.